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  • O asaro, de Jacques Stern

O asaro, de Jacques Stern

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O asaro, de Jacques Stern. Tradução de Mauricio Salles Vasconcelos. São Paulo: Córrego, 2018. 14 x 21 cm, 220 p.

 

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Da apresentação de Mauricio Salles Vasconcelos:

O interesse pela tradução de The Fluke surge do contato com a entrevista de W.S. Burroughs, concedida, em 1965, a The Paris Review – publicada no Brasil, em 1988, entre outros depoimentos prestados à citada revista, incluídos no volume Os escritores[1]. O material aí contido instiga a reflexão e a experimentação. Tem passado por leituras e releituras ao longo dos anos, desde a elaboração da tese de doutorado Iluminações da modernidade – Uma caminhada com Rimbaud (1994) até ganhar sua forma de livro com o título Rimbaud da América e outras iluminações (Editora Estação Liberdade, 2000). E continua a ser pesquisado. Quando menos espero, retorna em meus escritos e estudos atuais a entrevista pick-up (como Deleuze prefere nomear os cut-ups para além do gesto de cortar/colar/montar, em se tratando de um ato de captura, em conexão-cognição mais aberta), juntamente com a retomada de The Third Mind (volume produzido por WSB ao lado de Brion Gysin).

A exposição dos métodos cut-up e fold-in, tal como discorrida na referida entrevista, propiciou para mim um inevitável mapeamento dos criadores dos textos aos quais Burroughs recorreu para suas experiências de montagem/reescritura/inscrição sempre relacionadas a processos conectivos/cognitivos inéditos. Algo surgido entre disposições intelectivas e a dinâmica produzida por cortes/analogias/superposições, desenrolados ao acaso (tendo, aliás, o acaso como dado especulativo, gerador da narratividade da escrita), a partir de um vasto repertório de livros e autorias.

Considerando-se, como pensa ele, ser o trabalho escritural um grande cut-up de tudo já produzido e estocado como patrimônio de uma disciplina conhecida como literatura, a menção a Jacques Stern comparece como referência muito viva no momento em que redesenha sua singular arte narrativa depois da edição de Junky (1953), seu livro de estreia. É o que diz, a partir da questão lançada na entrevista por Conrad Knickerbocker, acerca do cut-up, assim como do fold-in, práticas realizadas deliberadamente em Nova Express como eixo procedimental da feitura deste livro (assim como se processa em The Ticket that Exploded e The Soft Machine,  os outros títulos da chamada “trilogia cut-up”). Trata-se, sim, de uma apropriação de vários escritores. Burroughs confirma a pergunta de Knickerbocker, afirmando que, em Nova Express, “Joyce está lá. Shakespeare, Rimbaud, alguns escritores de quem as pessoas não ouviram falar, alguém chamado Jack Stern” (Burroughs, 1988: 144).

         Antes disso, por volta de 1958, quando da escrita de The Naked Lunch, a convivência com Stern era intensa, a exemplo do que ocorria com outros amigos da chamada beat generation. Gregory Corso foi quem primeiro o conheceu, em 1954, e Ginsberg, se tornou próximo dele na sequência. O homem e o livro invisíveis, como Burroughs já podia expressar a respeito de J.S e The Fluke, são parte intensa do contexto em que produz sua obra mais conhecida – The Naked Lunch (lançado em 1959) – e atua como uma das pontas-de-lança do grupo renovador da literatura e da cultura entre fins dos anos 1950 e o início dos sessenta.

         O certo é que entre Stern e Burroughs ocorre um encadeamento cerrado de leituras/apropriações/convivências sempre novas, materializadas  textualmente, capaz de revelar um desbravamento de campos para a vida/escrita – Todo um entramado de motivos que quebra a lógica do antes e do depois, do um/outro, dos limites entre o corte/recorte cut-upper e a órbita do autoral.

         Desde muito cedo, no período anterior à publicação de The Naked Lunch, W.S.B. pôde testemunhar como decisiva em sua formação a amizade com Jacques Stern – um francês descendente dos Rotschilds, uma longa dinastia cujos títulos de nobreza não se separam do império bancário que veio sendo construído há séculos, influente até hoje, sendo denominado por seus amigos/admiradores como “barão louco”, residente desde 1940 nos EUA (onde falece, mais precisamente em Nova York, no ano de 2002, aos 70). Não à toa, The Fluke sobrevoa a relação dos dois, a ponto de Burroughs declarar que “ele era, de longe, melhor do que eu ou mesmo Kerouac ou Gregory (Corso) ou qualquer outro que seja. Não tenho dúvida sobre isso, é um grande escritor. Penso que se trata do maior do nosso tempo” (Da carta de Burroughs a Allen Ginsberg, 8 de junho de 1959).

 

[1] Os escritores: as históricas entrevistas da Paris Review. Trad. Alexandre Alberto Martins e Beth Vieira. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

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